
SBT e N Sports entram em disputa judicial por valores de patrocínios e receitas comerciais da transmissão da Copa.
O SBT e N Sports chegaram à Justiça por causa de uma disputa que envolve as receitas comerciais da transmissão da Copa do Mundo. A N Sports acionou o SBT no Tribunal de Justiça de São Paulo nesta sexta-feira, 11 de setembro, alegando que a emissora deixou de repassar valores relacionados a patrocínios e ativações comerciais do projeto. Segundo a informação publicada pela VEJA, a dívida apontada pela empresa já ultrapassa R$ 40 milhões.
A cobrança coloca no centro da discussão justamente o modelo comercial adotado para uma das principais operações de transmissão esportiva do SBT. O acordo entre as empresas previa a divisão das receitas obtidas com o projeto, mas a N Sports afirma que parte dos valores arrecadados diretamente pela emissora não foi transferida conforme estabelecido.
SBT e N Sports tinham divisão definida das receitas
A parceria foi estruturada para levar 32 partidas da Copa do Mundo ao público, com transmissão simultânea entre o SBT e a N Sports. O projeto também ganhou peso comercial ao reunir diversas marcas patrocinadoras em torno da cobertura.
De acordo com os documentos apresentados pela N Sports no processo, a divisão dos lucros estabelecida em contrato previa 74% para o SBT e 26% para a N Sports. A empresa, porém, sustenta que parte das receitas recebidas pelo SBT não teria sido repassada dentro dos prazos previstos.
A operação comercial ganhou relevância ao longo da competição. O SBT confirmou nove patrocinadores em março e posteriormente o projeto chegou a 12 marcas associadas à transmissão.
Na avaliação apresentada pela N Sports à Justiça, o problema estaria justamente na centralização desses recebimentos. A empresa afirma que o SBT teria concentrado os pagamentos realizados por patrocinadores e anunciantes e deixado de transferir valores que deveriam ser compartilhados.
“O SBT centralizou a arrecadação dos valores pagos por patrocinadores e anunciantes e passou a reter dinheiro alheio”, diz um trecho do documento citado no processo.
Dívida já havia sido reconhecida anteriormente
A disputa, segundo a N Sports, não começou com a ação apresentada agora. A empresa afirma que as divergências comerciais já haviam sido discutidas anteriormente pelas duas partes e chegaram a provocar uma alteração no contrato original.
Nesse aditamento, de acordo com a acusação, o SBT teria reconhecido uma dívida de aproximadamente R$ 17 milhões. A N Sports sustenta, porém, que novos valores deixaram de ser repassados posteriormente, fazendo com que o montante cobrado aumentasse.
A empresa também aponta suposta falta de documentos e informações sobre a comercialização das cotas de patrocínio. Na prática, isso teria dificultado a conferência das receitas que deveriam entrar no cálculo da divisão entre as duas companhias.
A situação teria se agravado em 10 de setembro, quando, segundo a N Sports, uma parcela do pagamento referente à dívida anteriormente reconhecida não teria sido quitada.
N Sports pede bloqueio de valores do SBT
Com a disputa levada ao Tribunal de Justiça de São Paulo, a N Sports solicitou medidas para tentar assegurar o recebimento dos valores que considera devidos. Entre os pedidos apresentados está o bloqueio de recursos nas contas do SBT.
A medida agora depende da análise da Justiça, que deverá avaliar os documentos e argumentos apresentados no processo. A existência da ação não representa, neste momento, uma decisão definitiva sobre a responsabilidade pelos valores cobrados.
O caso acrescenta um capítulo jurídico a uma parceria que movimentou cifras relevantes no mercado de direitos esportivos. SBT e N Sports haviam desembolsado juntas US$ 25 milhões pelos direitos de 32 partidas, em um acordo realizado com a LiveMode, responsável pela comercialização dos direitos no Brasil. A operação foi anunciada como um projeto conjunto entre TV aberta e TV por assinatura.
A transmissão também teve peso estratégico para o SBT, que voltou a disputar espaço entre as principais emissoras envolvidas na cobertura do Mundial. Para a N Sports, o projeto representou uma das maiores operações de sua trajetória no mercado esportivo.
Agora, porém, a parceria passa a ser acompanhada também pelo desdobramento de uma disputa financeira que pode ter impacto significativo sobre as duas empresas.
O episódio mostra como, além dos direitos de transmissão e da audiência, a exploração comercial de grandes eventos esportivos pode gerar complexas relações financeiras entre emissoras, produtoras, plataformas e parceiros. Enquanto a Justiça analisa o caso, a agenda semanal e diária de transmissões de futebol está disponível no site ondeassistir.net.br.
