Coluna do professor: O Disney+ Premium me cansa

Confesso que o Disney+ me cansa. Não é o serviço em si, mas a sensação de que o esporte virou refém de uma estratégia de negócios que pouco se importa com quem assiste. Entendo que o streaming cresce e a TV paga encolhe, mas esse movimento não deveria desgastar o espectador do caminho. Na prática, vejo uma linha tênue sendo ultrapassada quando a prioridade é o pacote de assinaturas, e não a emoção da prova.

Pego o exemplo do último domingo, 30 de agosto, com o GP de Milwaukee decidindo o título de Alex Palou [o maior da história da F-Indy?). A primeira corrida, no sábado, foi interrompida pela chuva e remarcada para as 19h de domingo — algo perfeitamente compreensível pela segurança nos ovais. Só que a Band preferiu a programação normal, e a ESPN, com seis canais à disposição, fez o mesmo, exibindo VT em três deles. Resultado: a prova decisiva ficou restrita ao Disney+. É um desrespeito com quem acompanhou a temporada inteira.

Não ignoro que há contratos e compromissos comerciais, mas isso não justifica tudo. Já vi a Band colocar a NASCAR no canal secundário (Rede21) em outros tempos, então não é como se não houvesse alternativa para o fã que só tem TV aberta. Os canais ESPN poderiam, por exemplo, abrir mão do VT da MotoVelocidade ou da liga holandesa no ESPN6 para mostrar uma corrida ao vivo. Falta criatividade, ou pior, falta vontade de olhar para o público.

O que me irrita é a naturalidade com que tratam esse tipo de decisão, como se o telespectador fosse um estorvo no balanço financeiro. A Fórmula Indy tem fãs apaixonados no Brasil, e jogar a definição do título para uma plataforma paga, sem aviso ou alternativa, é quase um escárnio. Não peço que abandonem o streaming, mas que respeitem quem construiu a audiência da categoria ao longo dos anos.

No fim, fica a sensação de que o esporte virou moeda de troca para empurrar assinaturas, e a paixão do torcedor é apenas um detalhe na planilha. Se a TV paga encolhe, tudo bem, mas por que a solução tem que ser sempre às custas de quem está na outra ponta? Me diga: até quando o fã vai ter que pagar por um novo serviço só para ver o que já deveria estar no canal que sempre acompanhou?

SOBRE O AUTOR
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau e editor do podcast Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts). Escreve no Substack sobre o futebol catarinense.

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www.albiofabian.com

3 thoughts on “Coluna do professor: O Disney+ Premium me cansa

  1. Isso não é só por acordos comerciais, a Disney vem fazendo isso há muito tempo no mundo todo, antes da Disney+, por aqui mandavam alguns jogos pro antigo Star+, em 2024 mandou grande parte da eurocopa pra Disney+ no resto da America do Sul, esse ano isso se repetiu novamente (no resto da america do sul) focando em jogos da copa do mundo apenas na Disney+
    O unico pais que é excessão é no Canadá (por a TSN ser uma joint-venture) e nos EUA com o app da ESPN (antiga ESPN+), mas, mesmo assim cobram muito caro se você não for assinante de TV Paga (que na maioria dos pacotes é incluido com o pacote de esportes)

  2. Preços abusivos, perda de conteúdos esportivos, perda de grandes locutores e mais uma lista sem fim de “problemas” com o Disney+. Vai começar a temporada da NFL e me recuso a assistir no grupo Globo e ouvir as baboseiras referentes aos programas da casa. Pensando seriamente em recorrer ao League Pass da NFL, ao menos ali sei que verei o que escolhi assistir e não o que me empurraram goela abaixo.

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