
O futebol feminino ampliou sem espaço na televisão. Há tempos a coluna defende o lugar da categoria e ressalta o papel das emissoras públicas nesta questão. A ampliação da categoria, por consequência traz consigo outras marcas e possibilidades. Estamos na disputada da Libertadores Feminina, edição 2026, podemos questionar o formato e o calendário, mas, pelo menos no Brasil avançamos nas transmissões.
Opções são as diversas: Sportv; NSports; CazéTV; XSports; Gol Brasil; Canal UOL e Pluto TV Esports; além de canais ligados ao Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras no YouTube. No Chile, o Chilevisión levará a TV aberta enquanto Argentina e Colômbia a PayTV levará o sinal através de TyC Sports e WinSports. Em toda América do Sul, a PlutoTV mostrará, pelo canal Esportes todos os jogos.
A fórmula é simples. São 16 equipes dividadas em 4 grupos, passando as duas primeiras colocadas para a fase eliminatória e como já sabemos, o mata-morre, quarta, semi e a grande final. A campeão disputará o mundial da FIFA. Janeiro passado o Corinthians foi vice mundial, caindo diante do Arsenal.
Durante muito tempo, as transmissões ficaram restritas a horários ingratos ou espaços sem discussão, apenas como um apêndice do masculino. Quando as emissoras abertas finalmente abriram espaço na grade regular, o interesse do público respondeu imediatamente com grandes índices de audiência, vide a repercussão do título do São Paulo FC sobre o Corinthians. Essa visibilidade constante transforma torcedores casuais em fãs assíduos e fiéis. A presença no canal aberto valida a modalidade perante patrocinadores e investidores do mercado esportivo. Ainda carece a necessidade do futebol feminino ocupar os gramados principais, mas esta é conversa para outro dia.
O Brasil hoje lidera esse movimento de transmissão e valorização se comparado aos outros países da América do Sul. Nossos vizinhos sul-americanos ainda sofrem com grades de TV dominadas exclusivamente pelo masculino e falta de investimento direto. A transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro e da Seleção Brasileira em canal aberto estabelece um padrão inédito na região, e por extensão, atrai outros canais. Essa presença na tela inspira jovens atletas em todos os cantos do país a buscarem o sonho profissional. O mercado audiovisual brasileiro provou que existe demanda real e lucrativa para os jogos das mulheres. Os dois canais que mostram a NWSL (ligar estadunidense de futebol feminino) são exemplos, os canais ESPN e XSports.
A consolidação do futebol feminino não depende mais da validação da sua qualidade técnica, mas sim da continuidade do investimento de mídia. A televisão tem o poder e o dever de transformar esse esporte em um hábito diário na vida dos torcedores. Sem a exposição na TV aberta, qualquer promessa de desenvolvimento da categoria continua sendo apenas discurso. A Record News há mais de ano possui sua mesa de debate na grade. Os passos foram dados, nos resta continuar a caminhada.
E agora, quais serão os próximos passos?
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense ( https://albiofabianmelchioretto.substack.com/).
https://orcid.org/0000-0001-8631-5270
