
Monopólio, em economia, é usado para classificar o privilégio de uma pessoa ou grupo em fabricar ou vender certas coisas. No sentido figurado usamos para descrever certa pretensa de exclusividade. Em latim, monopolium era o mercado que vendia somente uma espécie de mercadoria – algo impensável no capitalismo hodierno. O monopólio, na mídia esportiva, é usado quando um canal, ou grupo, possuí exclusividade sobre o direito de transmissão.
O Grupo Globo é visto por muitos como um problema na gestão do futebol brasileiro por exercer o monopólio sobre os direitos de transmissão. Por anos o grupo foi o único exibidor das Séries A; B; Copa do Brasil; Libertadores e principais estaduais. A despeito, a presença da Globo foi significativa na construção da atual fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro, elevando o torneio de patamar e aproximando-o dos melhores torneios do mundo. Um mal que veio para o bem?
O mundo esportivo, após a pandemia passou por transformações. Os organizadores de muitas competições entenderam que a pulverização de exibidores e a exploração do streaming poderia ser um caminho novo. Para dar conta desta mudança, basta ver a quantidade de canais exibidores que temos acesso, seja na TV aberta, na PayTV ou no mercado FAST. Neste novo tempo, a CazéTV ganhou maior projeção. Abandou o Twich, ficou raízes no YouTube, criou canais FAST e surfou na onda da pulverização. Que exibição foi aquela dEl Classico?
Existem analistas que apontam uma dicotomia entre CazéTV e Globo. Esta narrativa ganhou corpo com o surgimento da GeTV. Mas vejo com certa resistência. A CazéTV não democratizou o acesso, ela (LiveMode) lucra sem o intermediário. A LiveMode atua como “negociador de direitos de transmissão”. Este é o ponto que vejo diferente do Grupo Globo, que não atua na negociação de venda entre competição e exibidores, mas cobra a exibição, ela é compradora de direitos.
O que temos de fato é uma reorganização de forças. O Grupo Globo, apesar do erro da Copa-26, mantém um cardápio significativo de esportes. Recuperou algumas coisas que havia deixado de lado, trouxe outras modalidades e transformação a forma como se comunica com o público. No cenário da pulverização, outros players surgiram. Abrimos o bolso para pagar certas “exclusividades” e novos serviços “premium”.
E agora, sem o monopólio da Globo, mas com versatilidade de plataformas e cardápio maior, pagamos mais para ver esportes, seja diretamente com assinaturas ou indiretamente… Da forma que está ele não se sustentará por muito tempo. Então, como este mercado vai se reorganizar? Quem ficará no páreo e quais desaparecerão?
Sobre o autor
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense (https://albiofabianmelchioretto.substack.com/).
https://orcid.org/0000-0001-8631-5270
